Reler os apontamentos serve de pouco, diz a ciência

Metodi di apprendimento

Uma aluna está sentada à sua secretária, na véspera do exame. O caderno está aberto, um marcador amarelo na mão. Relê cada parágrafo, sublinha uma frase, acena com a cabeça. “Isto eu sei”, diz para si mesma ao virar a página. Três horas depois, o caderno está fechado, todo sublinhado, e ela sente-se pronta. No dia seguinte, perante a prova, metade daquilo que julgava saber desapareceu.

Porque é que reler dá uma falsa sensação de saber

O problema não é falta de trabalho. Vem de uma confusão muito comum entre duas sensações que se parecem mas nada têm a ver uma com a outra: a fluidez de leitura e a memorização real. Quando se relê um texto já visto, as palavras fluem sem resistência, as ideias parecem familiares, e essa facilidade é interpretada pelo cérebro como sinal de domínio. Mas reconhecer uma informação não é o mesmo que conseguir produzi-la sozinho, sem ajuda, dias depois. Reler treina sobretudo a capacidade de reler, não a capacidade de recordar.

O que a recuperação ativa realmente muda

Um estudo já clássico, conduzido por Henry Roediger e Jeffrey Karpicke, comparou dois grupos de alunos a aprender o mesmo texto. O primeiro grupo relia o texto várias vezes. O segundo lia-o apenas uma vez e passava o resto do tempo a tentar recordá-lo de memória, sem o apoio do texto. Uma semana depois, o grupo que se tinha obrigado a recordar retinha claramente mais conteúdo do que aquele que se tinha limitado a reler. Este resultado, publicado na Psychological Science, deu nome àquilo a que os investigadores chamam hoje o testing effect: o simples ato de testar a própria memória, mesmo sem retorno nem correção, reforça o traço mnésico de forma muito mais eficaz do que uma nova exposição ao mesmo conteúdo.

Porque é incómodo, e porque isso é precisamente bom sinal

Obrigarmo-nos a recordar uma informação sem a reler é desagradável. Hesita-se, tateia-se, por vezes não se consegue mesmo recuperar aquilo que se julgava saber. Este desconforto tem um nome em psicologia cognitiva: a dificuldade desejável. Contrariamente à intuição, quanto mais custoso é o esforço de recuperação, mais sólida se torna a memorização, desde que a informação acabe por ser encontrada, ainda que apenas parcialmente. Reler, pelo contrário, quase não custa nada, e é precisamente por isso que deixa tão pouco rasto. O conforto da revisão passiva e a solidez da aprendizagem tendem a evoluir em sentidos opostos.

Um princípio válido para quase todas as disciplinas

Este mecanismo não se limita a memorizar datas ou definições isoladas. Funciona igualmente bem com uma demonstração matemática que se tenta refazer sem olhar para a solução, uma frase em língua estrangeira que se tenta traduzir antes de verificar, ou um raciocínio histórico que se tenta reconstruir de memória antes de comparar com os apontamentos. Em todos os casos, o princípio mantém-se o mesmo: produzir a informação antes de a verificar, em vez de a verificar antes sequer de se ter tentado produzi-la. O que varia é a forma do exercício, não a lógica que o sustenta, e é precisamente essa generalidade do princípio que torna o método tão sólido de uma disciplina para outra.

Colocar a recuperação ativa no centro do método

Na prática, isto significa inverter a ordem habitual das prioridades. Em vez de começar uma sessão de revisão a reler, é melhor fechar o caderno de imediato e tentar escrever ou dizer tudo aquilo de que se lembra sobre o tema. Os flashcards funcionam segundo este mesmo princípio, tal como os questionários que se colocam a si próprio, ou o exercício de reexplicar um capítulo em voz alta sem qualquer apoio. Um texto já lido também pode servir de base a este exercício depois de condensado: obter primeiro um resumo estruturado, tal como permitem as ferramentas pensadas para estudantes, ajuda a identificar as ideias-chave antes de ter de as recuperar sozinho, de memória, sem rede de segurança.

A aluna abre novamente o caderno, mas desta vez não o lê de imediato. Pega numa folha em branco e tenta escrever tudo aquilo de que se lembra do capítulo, sem olhar para os apontamentos. As lacunas que surgem não são desanimadoras, indicam exatamente onde concentrar o esforço a seguir. Só depois, ao comparar o que escreveu com os seus apontamentos reais, é que fecha finalmente o caderno, desta vez com uma certeza verdadeiramente justificada.