A tutoria entre pares: aprender a ensinar

Soluções educativas

Um aluno está preso numa noção há vinte minutos. Em vez de levantar a mão para o professor, volta-se para o colega do lado. Três frases depois, finalmente compreende. Este reflexo, muitas vezes visto como um remédio de recurso, uma solução de segunda escolha quando o docente está ocupado noutro lado, é na realidade um dos métodos de aprendizagem mais bem documentados que existem. E o seu benefício não vai num único sentido: quem explica ganha tanto, ou mais, do que quem escuta.

O que a investigação mostra: ambos ganham

Uma meta-análise recente sobre tutoria entre pares nas disciplinas científicas e técnicas compilou resultados de mais de vinte estudos, abrangendo vários milhares de alunos. A constatação é inequívoca: a tutoria entre pares produz um dos efeitos mais marcados alguma vez registados no sucesso escolar, uma dimensão do efeito claramente superior à de muitas outras intervenções pedagógicas testadas na literatura.

O que mais impressiona é que estes ganhos não se limitam ao tutorado, aquele que recebe a ajuda. Os alunos que assumem o papel de tutor também progridem de forma mensurável, na matéria ensinada mas também em competências transversais como a resolução de problemas. A tutoria entre pares não é, portanto, um serviço de sentido único, é uma troca de duplo benefício.

Porque explicar a um colega real fortalece a própria compreensão

Poder-se-ia pensar que este mecanismo se assemelha ao da técnica que consiste em explicar a si próprio um conceito, numa folha, para descobrir o que não se compreendeu. Há uma diferença importante. Explicar a alguém real, que faz perguntas verdadeiras, hesita, franze o sobrolho quando algo não encaixa, leva o tutor muito mais longe do que falar consigo próprio no vazio.

Perante um interlocutor real, é preciso adaptar-se em tempo real, reformular de imediato quando a explicação não funciona, defender uma lógica que se julgava límpida e que, confrontada com uma pergunta genuína, revela subitamente as suas zonas confusas. Esta adaptação constante, impossível de simular sozinho, obriga a uma compreensão mais flexível e mais sólida do que aquela que se pode alcançar em autonomia.

O que o tutorado ganha, que o professor nem sempre oferece

Um colega que acabou de compreender uma noção possui algo que o professor, que a domina há anos, muitas vezes perdeu: a memória fresca dos pontos exatos onde ele próprio se prendeu. Ainda se lembra da palavra que o desbloqueou, do exemplo que fez clique, da formulação que subitamente tornou as coisas óbvias.

Esta proximidade cognitiva muda fundamentalmente a situação. O vocabulário empregue, os exemplos escolhidos, o ritmo da explicação, tudo está mais próximo daquilo de que o tutorado realmente precisa, precisamente porque o tutor atravessou a mesma dificuldade recentemente. Não é que o professor explique pior, é que explica a partir de um lugar diferente, mais afastado do ponto de vista do principiante.

O que torna a tutoria verdadeiramente eficaz

Uma tutoria improvisada, sem enquadramento nem preparação, funciona claramente pior do que uma tutoria estruturada. Um objetivo claro para a sessão, um tempo limitado, e sobretudo um suporte preparado antecipadamente, fazem toda a diferença entre uma conversa que anda às voltas e uma verdadeira transferência de compreensão.

A preparação do suporte merece atenção especial. Um tutor que dedica tempo a preparar um suporte aliviado para um colega com dificuldades de leitura multiplica as hipóteses de a tutoria dar frutos, sobretudo quando o tutorado é daqueles para quem um texto denso já representa, por si só, um obstáculo antes mesmo de abordar o cerne do assunto.

Pôr em prática uma dupla de tutoria concretamente

Alternar os papéis funciona melhor do que fixar uma hierarquia imutável entre um tutor permanente e um tutorado permanente. Cada um, à vez, experimenta os dois benefícios do dispositivo, o de aprender ouvindo e o de aprender explicando.

Escolher temas em que a diferença de domínio se mantenha moderada, em vez de enorme, mantém o tutorado numa zona onde a explicação continua acessível. Fixar uma duração curta, de quinze a vinte minutos, com um objetivo único e preciso por sessão, evita que o encontro se dilua numa conversa geral sem verdadeira transferência de saber.

Voltemos a esse aluno que acabou por compreender graças ao colega do lado em vez do professor. Este reflexo que se julga um remédio de recurso é na realidade uma das alavancas pedagógicas mais sólidas que existem, precisamente porque nunca beneficia apenas um dos dois alunos. Ensinar a um par não é uma distração da verdadeira aprendizagem. É, muitas vezes, a sua forma mais acabada.